Redes Sociais

Procurador diz que contas de Lula e Dilma no exterior são "incomprováveis"

Publicado em 11/08/2017 às 06:27h


O procurador federal Ivan Cláudio Marx, responsável pelas investigações contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (ambos do PT) baseadas na delação premiada do empresário da JBS Joesley Batista, afirma que a informação oferecida pelo executivo em delação é "incomprovável". Segundo a declaração, os petistas receberam US$ 150 milhões em propina em contas no exterior, mas o procurador acredita que "a história dele é incomprovável. Pedimos documentos para comprovar, e não veio nada", afirmou. O dinheiro seria proveniente de operações de propina por ter viabilizado financiamento do BNDES, o que ampliou consideravelmente o tamanho dos negócios do grupo.
Para o procurador, as informações do executivo teriam, pelo menos, três pontos passíveis de desconfiança. O principal é a ligação entre as contas e os ex-presidentes. "Ele diz que as contas teriam recursos em favor dos ex-presidentes, mas as contas estavam em nome do próprio Joesley. Era ele quem operava as contas", questionou.
Em seguida, Marx afirma que há falta de evidências de que Lula e Dilma sabiam das contas. "Primeiro, ele disse que o Guido Mantega havia falado que os dois sabiam das contas e viam os extratos. Depois, ele disse que teve conversas tanto com Lula quanto com Dilma sobre essas contas. Mas, até agora, só tem a palavra dele", disse.
Já o terceiro ponto é referente ao destino do dinheiro que saía das contas. Joesley afirmou que iam para doações ao partido, mas Marx afirma que "o dinheiro saía do Brasil e ia para essas contas no exterior, mas não voltava ao País para comprovar as doações. Segundo ele mesmo, o dinheiro das doações não saía dessa conta".
O procurador afirma que, se for comprovado que Joesley mentiu no seu depoimento premiado, ficará a cargo da Procuradoria Geral da República (PGR) avaliar a punição. A assessoria de imprensa da PGR afirmou que, "caso fique comprovado que o colaborador não entregou todas as informações ou documentos necessários para comprovar as afirmações ou mentiu, o acordo de colaboração pode ser revisto", e que os colaboradores precisam "entregar documentos que corroborem as afirmações que fazem". Os executivos correm o risco de perder os privilégios adquiridos na delação, como a imunidade penal e até aumento das penas.
A defesa dos empresários da J&F disse em nota que "nenhum dos colaboradores mentiu em qualquer depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal". Também afirmam que os "colaboradores estão disponíveis para colaborar com a justiça". Por fim, o grupo explica que, "a despeito do grande número de informações e provas já entregues, o compartilhamento de provas e informações complementares entre a PGR e os demais ofícios do MP estão sendo tratados dentro dos trâmites legais".
Histórico da acusação
Segundo o delator, propinas referentes a contratos que empresas do grupo J&F mantinham com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) eram depositadas em duas contas no exterior, abertas no nome de Batista, com o conhecimento dos presidentes de turno e "com objetivo de beneficiar o grupo empresarial JBS". O ex-ministro Guido Mantega, que teria sido o intermediário dos pagamentos, recebia extratos das contas e mostrava para os ex-presidentes. Joesley também contou que, mais tarde, o dinheiro depositado foi "descontado" com as doações para campanhas eleitorais.
Na época que as delações foram divulgadas, os advogados de Lula e Dilma enviaram notas oficiais à mídia, negando o envolvimento e afirmando que o empresário não possui provas contra os petistas.
Como os ex-presidentes não possuem mais foro privilegiado, a PGR passou as investigações referentes aos caso à Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) em primeira instância.
Marx já era responsável pela denúncia de Lula pelas suspeitas de ter cometido o crime de tráfico de influência para que a Odebrecht conseguisse contratos em Angola. Além disso, também foi ele quem pediu o arquivamento do processo contra Lula por obstrução de Justiça. O presidente teria pago vantagens ilícitas ao ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, hoje em prisão domiciliar, para que ele não aderisse à delação premiada.


PUBLICIDADE

Top